Crônica dos cereais

Odeio encontrar metáforas em pequenas coisas, mas hoje mesmo, encontrei uma em meu cereal.

Odeio a maneira trágica como o cereal acaba. Você vai comendo pequenas porções em canecas muito fartas com leite, e um dia quando vai pegar a embalagem para se servir mais, percebe que está muito leve. Despeja tudo o que sobrou em outra caneca, que nunca fica cheia o suficiente e consume tudo, novamente, com leite. Isso tudo parece uma doença, parece a própria vida.

É como se ao viver intensamente nossas experiências, o final sempre será insatisfatório, as experiências prévias tornar-se-á menos prazerosas e procuraremos limitações para cortar os momentos e preencher, com esses pedaços, o final. Ou, resumidamente, comer menos cereal durante o processo de consumo, para que sobre mais no final.

Essa última experiência com o cereal, é frustrante, sem dúvidas, mas ao sentir que o cereal não foi menos saboroso do que nas outras vezes, concluí que de nada adianta limitar minhas porções, pois não necessariamente a caneca ficará cheia no final e todas as canecas de cereal anteriores não serão tão boas, ou, que de nada adianta limitar-se, pois viver intensamente é o que importa.

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