Mês: novembro 2014

Beba-me

Beba-me em seu passeio despretensioso
Faça-o se for capaz
Sei aonde quer chegar, vejo aonde vai
Sinto por onde passa

Beba-me competente
Em partes ou por inteiro
Com sua boca ou suas mãos
Com seus olhos ou sua mente

Beba-me infame
Durante o século inteiro
Nos dias de cancro, nas semanas de genocídio
Nos anos de guerra, nas décadas de depressão

Beba-me qualquer jeito
Como se eu fosse seu café da manhã
A água do teu banho
Ou o soluço do teu choro

E não saiba, não veja
Não sinta, não ouça
Não fale, não seja
Apenas beba

Você está tão cansado de tudo e eu estou tão cansada de nada.
Um vazio pesa no peito, o cansaço é feito de coisas geladas.

Vamos dar as mãos e nos preencher
Com o essencial e o banal, do comum e do especial

Depois a gente pensa nas angústias, olha pra trás e sente medo
Telvez se abrace, talvez vá em busca de algo verdadeiro.

Perguntei quantos anos tu tinhas e me respondeu 33, bem naquele dia de cigarros e tonteio.
Perguntei quando tu vinhas, respondeu 23 de junho, eu juro

Para fins de pisotear restos mortais
Dos meus incompetentes e dos teus otários.
Vivos, cheios de cores, uma casca de felicidade
Completamente mortos.

Eu oca e a tua fala tocou-me, tão falha, mas insistente.
Tu roubaste as minhas palavras e eu roubei tuas piadas.
Agora, cada vez que o ciúme bate na minha porta e fica, tuas palavras caem como sermão.

Vi os minutos passarem, contei os dias para te ver, deitei-me exausta na cama, porque a vida seria mais muito mais fácil contigo.
E tu ainda me dizias coisas do tipo isso passa, é tudo em longo prazo,
ansiedade só atrapalha, não adianta agonizar.

Vai amanhã então, vive amanhã. Esperar pelo dia em que a lágrima já não será minha e a ansiedade não será tua
O underground será teu e a paisagem será minha

As fotos e a fama estarão na minha mão enquanto os quadros e os risos estarão nos teus braços é o que fica sobre a mesa.
Ainda chegará o dia em que tudo será nosso.

Hoje a cadeira é tua e a estrada é minha, Hoje é quem me espera e o presente é o que vivo.
E isso é compreensível.

Tom

Tom nunca nasceu pra você
Mas nasceu para mim.

Nossos sorrisos e olhares trocados
Que nunca existiram pra você
Eram reais pra mim.

Meus vestidos e caminhadas pela praia
Raios de sol tão frágeis
Nunca existiram
Eu, que te amei tão forte, nunca esqueci.

Tantos risos e tantas lágrimas
Ruídos, descuidos
Obras de arte
Conhecimento a parte
Que nunca vivi.

Dedico-te essa gota
De água
De tinta
De vida
De mim

A distância, a cura e a dor.
A ignorância, o torpe, o fervor.
Felicidades infindáveis
Candelabros e estalos de sorte.

Todas as vezes que eu te vi
Mas você não estava lá.
Você que fechou a porta
E me trancou num quarto de angústias novas.

Quadra (Vitta, Ian, Cassales, por uma mulher que parece um homem)

Dobro uma esquina

Sem saber o que te dizer

Mas há algo em meu coração

Que tu precisas saber


Reminiscências das minhas observações

Fazem meu sangue disparar

Lembro-me dos teus vestidos

E de te ver dançar


Dobro outra esquina

Vejo tuas pernas descompassadas

Teu cabelo voando com o vento

Gosto tanto das tuas risadas


Sei os pequenos gestos que tu faz

Como teu rosto fica vermelho quando está encabulada

Penso que sei tanto sobre você

Mas percebo que não sei nada


Dobro outra esquina

E estou tão perto de ti

As palavras não saem da minha boca

Então nada digo, pois só posso sentir.


Estou acorrentado pela minha timidez

Me sinto impotente e incapaz

Em meio ao meu lamento

Já te vejo se afastar


Dobro outra esquina

Ainda não sei o que falar

Agora tu já estás distante

E eu voltei pro mesmo lugar.

A mente borbulha

E já falei sobre meu coração

Mesmo que as coisas pareçam geladas

Tudo sempre entra em erupção


Nunca estou de brincadeira

Meus diminutivos têm seriedade

Eu te puxei para este abismo

Onde ninguém sabe a minha idade


E mesmo que esteja frio

Te peço que não me abrace

Não me deixe a dúvida


Contigo me encontro no meio do caos

Sou parte dele e ele está dentro de mim

É assim que fluímos por aqui

Não procure minhas respostas longe daqui

Não saia de perto

Mesmo que não saiba responder

Não vá embora


Não procure nela o que eu não tenho

Finja que tudo está aqui

Não se afaste, não diga que não há tempo

Eu sempre posso esperar


Olho para o chão e te procuro nas casas

Nas folhas das árvores, nas janelas dos carros

Vejo-te por todo lugar


Minha estratosfera anil, meu satélite árido

Meu cerrado, meu televisor

Mas nunca encontro teus olhos

15

Existem certas palavras

Que quero usar pra escrever

Procuro-as nas ruas

Mas só encontro em você


As dores

Meus gritos curtos e abafados

Perco-me em ti, perco-me em nós

Já não sei o que dizer


Em minhas mãos já não guardo confissões

Nem na boca, nem no peito

Sou inteiramente paixão


Se te encontro nos meus dias

E caio em ti nas minhas noites

É porque tu estás aqui, de algum jeito

whisper

it splits through my fingers
falling in the ground
there is nothing i can do
it goes to never be found

i never saw it again
although i searched in the floor
in the little corners of my room
with my tongue on the walls

yesterday i felt something behind my back
i was lying on my bed
my heart beated faster
but it wasn’t it

i’ve been looking around
i know it’s on the trees, in the air
but it doesn’t belong to me
i am empty of it

it has many forms
and i waste with stupidity
it splits through my fingers
and disappears with my tears

i tried to find a meaning
when there really isn’t anything
life escaped of my life
in this whisper of death