Mês: março 2015

Imagens aleatórias

Mesmo que a manga do meu casaco ainda esteja com cheiro de café, essa presença não me desperta para a realidade. Na verdade, me faz viajar ainda mais pelos pequenos detalhes da existência. Todas as coisas da rotina parecem se misturar, a convivência do dia a dia, o neorrealismo italiano fora das telas do cinema, os espelhos nos prédios nessa arquitetura que reflete o nosso caos.

Por uma pequena eternidade fazemos o mesmo caminho, seguimos a mesma linha, andamos em cima dos quadrados na calçada que tiverem a mesma cor, até que algo se rompe. Tudo para, a trajetória muda por alguma razão.

O que antes era quadrado se torna triangular. Um acidente de percurso, um holofote que aponta para um lugar específico. Um a linda mulher sorridente de vestido vermelho, o momento de pânico que se incendeia quando falta a luz e o desespero na procura por velas, o casal se balançando na rede enquanto se olham nos olhos, cheios de ternura e cumplicidade.

É um devaneio que acontece quando a simplicidade chama atenção, quando as ideias são filhas do nada, um pedaço de alguma coisa se solta e se incorpora à outra. Quando um Ninguém é protagonista ou quando palavras aleatórias são colocadas juntas e brotam várias imagens.