Peace

When i was a teenager, i started to search for peace
Walking through the corridors of my school, downloading the Pixies discography
Everything stood dark even when i smoked in the street
So I listened to the Last Splash and read The Catcher in the Rye
All this felt very good but i could never really find peace
All i could do was see that my mind will never be quiet
I will live the chaos and it will be part of me

Fio de parede

Por que a gente quer ficar limpo e arrumado quando está tudo uma bagunça?
Pra quê parecer alguma coisa que não é, se a verdade sempre escapa
pelos olhos?
E mesmo se tu souber mentir muito bem, tudo vai ficar registrado nos fios dos teus cabelos.
Pode descolorir, eles são como paredes;
Não tem como apagar, pode pintar por cima, pode tirar a tinta, ainda vai estar lá.
A parede vai muito além
A parede vai muito além da gente
Vai muito além do que a gente pensa
Tem vezes que eu penso que a parede também é gente.

No céu dos extraterrestres

Estamos chegando ao céu dos extraterrestres
Sua estratosfera com tantas cores que não podemos discernir
Com nossos olhos humanos que não superam expectativas,
quebram paradigmas ou podem apreciar tal coloração sápida.

Os movimentos espaciais da culpa vão começar
Roubei todo o dinheiro da União Soviética com uma viagem em mente
Conquistar o sidéreo espaço etnocêntrico das imaginações
Cheguei bem perto de mim, mas uma enorme explosão me expulsou dali

Porém, acabei por encontrar os estilhaços dos corações quebrados e o depósito dos roubados
Todos os sentimentos apreendidos, que a realidade não pôde aceitar
Não houve leilão, pois ninguém jamais daria lance pra arrematar uma angústia tão grande

Imagens aleatórias

Mesmo que a manga do meu casaco ainda esteja com cheiro de café, essa presença não me desperta para a realidade. Na verdade, me faz viajar ainda mais pelos pequenos detalhes da existência. Todas as coisas da rotina parecem se misturar, a convivência do dia a dia, o neorrealismo italiano fora das telas do cinema, os espelhos nos prédios nessa arquitetura que reflete o nosso caos.

Por uma pequena eternidade fazemos o mesmo caminho, seguimos a mesma linha, andamos em cima dos quadrados na calçada que tiverem a mesma cor, até que algo se rompe. Tudo para, a trajetória muda por alguma razão.

O que antes era quadrado se torna triangular. Um acidente de percurso, um holofote que aponta para um lugar específico. Um a linda mulher sorridente de vestido vermelho, o momento de pânico que se incendeia quando falta a luz e o desespero na procura por velas, o casal se balançando na rede enquanto se olham nos olhos, cheios de ternura e cumplicidade.

É um devaneio que acontece quando a simplicidade chama atenção, quando as ideias são filhas do nada, um pedaço de alguma coisa se solta e se incorpora à outra. Quando um Ninguém é protagonista ou quando palavras aleatórias são colocadas juntas e brotam várias imagens.

s4

do lado de fora da lua
vejo minha dor crua
a essência de si mesmo na carne nua
repousa neste mundo de lama
e nós, perdidos no espaço
flutuando nos lençóis em volta da cama
somos pobres entre os ricos
somos ricos entre os pobres
não pertencemos, não pertencemos
não sentimos, não vemos
não sabemos, não teremos
o que o feliz terá
o que será que será?
e todos dias passarão
sem sentido, sem que tenha sentido
pela falta de caminho e a falta de carinho
o toque virou susto
o dinheiro compra o busto
de querer e não ter, de querer ser
querer estar em um lugar tão caro
me deixa na noite em claro
entorpecida pelo que divago
no silêncio do meu quarto
vivendo a morte do meu lado
irrompendo num grito dentro de mim
vaza pela lágrima que incomoda no ouvido
e assim continua a balada
da louca, do esperto e do mendigo
infeliz e cansada, hora após hora, assim sigo

Que nojo

Atchim! A poeira entra no nariz e provoca-me o espirro.

A criança diz “que nojo”, em alto e bom som. A mulher diz “que nojo”, em voz baixa.
Por que nojo se nada saiu? “É porque está tudo dentro do nariz!”

30 minutos após o almoço dou uma volta no recinto e em voz baixa no ouvido da megera pronuncio:
“que nojo, vá ao banheiro”. Ela surpresa me pergunta: “por quê?”

Em alto e bom som respondo “por essa barriga cheia de merda!”

Erro

Num reflexo sombrio
Vejo a falsa lágrima
Da tristeza no cio
A mais profunda lástima

É uma feição depressiva
Um rosto recém lavado
Não me surpreende, mas assusta
Pois não havia chorado

Me persegue este abismo
Em que afundo desigual
Ao mundo que não parece mudar
E faz-se em mim temporal

Me perguntam se choro, dizem que estou doente
Tudo nego, em desespero
Alguns duvidam até que eu sinta
Sou um grande erro!

Beba-me

Beba-me em seu passeio despretensioso
Faça-o se for capaz
Sei aonde quer chegar, vejo aonde vai
Sinto por onde passa

Beba-me competente
Em partes ou por inteiro
Com sua boca ou suas mãos
Com seus olhos ou sua mente

Beba-me infame
Durante o século inteiro
Nos dias de cancro, nas semanas de genocídio
Nos anos de guerra, nas décadas de depressão

Beba-me qualquer jeito
Como se eu fosse seu café da manhã
A água do teu banho
Ou o soluço do teu choro

E não saiba, não veja
Não sinta, não ouça
Não fale, não seja
Apenas beba

Você está tão cansado de tudo e eu estou tão cansada de nada.
Um vazio pesa no peito, o cansaço é feito de coisas geladas.

Vamos dar as mãos e nos preencher
Com o essencial e o banal, do comum e do especial

Depois a gente pensa nas angústias, olha pra trás e sente medo
Telvez se abrace, talvez vá em busca de algo verdadeiro.

Perguntei quantos anos tu tinhas e me respondeu 33, bem naquele dia de cigarros e tonteio.
Perguntei quando tu vinhas, respondeu 23 de junho, eu juro

Para fins de pisotear restos mortais
Dos meus incompetentes e dos teus otários.
Vivos, cheios de cores, uma casca de felicidade
Completamente mortos.

Eu oca e a tua fala tocou-me, tão falha, mas insistente.
Tu roubaste as minhas palavras e eu roubei tuas piadas.
Agora, cada vez que o ciúme bate na minha porta e fica, tuas palavras caem como sermão.

Vi os minutos passarem, contei os dias para te ver, deitei-me exausta na cama, porque a vida seria mais muito mais fácil contigo.
E tu ainda me dizias coisas do tipo isso passa, é tudo em longo prazo,
ansiedade só atrapalha, não adianta agonizar.

Vai amanhã então, vive amanhã. Esperar pelo dia em que a lágrima já não será minha e a ansiedade não será tua
O underground será teu e a paisagem será minha

As fotos e a fama estarão na minha mão enquanto os quadros e os risos estarão nos teus braços é o que fica sobre a mesa.
Ainda chegará o dia em que tudo será nosso.

Hoje a cadeira é tua e a estrada é minha, Hoje é quem me espera e o presente é o que vivo.
E isso é compreensível.